sexta-feira, 12 de agosto de 2016

COMO ANDA A (minha) SAÚDE

Delícia o apoio que tenho recebido de tantas pessoas que se ocuparam de minha saúde nesses últimos dias. É maravilhoso se sentir pertencente a uma rede tão boa, constituída de gente, conselhos, luz, carinho... E mais uma vez mando as notícias de como as coisas estão acontecendo.

Em 2/8/16 fui submetido a uma uretrorenolitotripsia flexível a laser com duplo jota. O nome me encanta, o que não impediu de sentir medo e pelas medicações que me aplicaram durante o procedimento (estava anestesiado dormindo), essa covardia se manifestou sob a forma de agitação, vômitos e pressão alta. O medo é esperado, dada a minha natureza pouco corajosa, também se consideramos que não estou habituado a dormir em um lugar estranho com pessoas me futucando por dentro – ainda que com boas intenções.
O Dr. José do Egypto fez muito bem o seu trabalho, e meu rim esquerdo logo se viu liberado para trabalhar fluidamente. No entanto, após 3 horas não foi possível romper toda a pedra. Coisa séria! Era um enorme paralelepípedo que apresentava no lado de uma de suas extremidades uma grande protuberância. Pelo menos ficou reduzido a algo em torno de 1cm de diâmetro (sem contar a outra de ½ cm). 

O médico sugeriu que eu fizesse complementarmente uma litotripsia externa. Aí sim que é de lascar. Fui atendido por um médico muito agradável e simpático, Dr. Bastos, filho de um médico de Seabra, Dr. Bastos, a quem conheço desde longa data. Fui a uma sala simples com um aparelho globoso que encostou em meu dorso e durante 20 minutos o pau comeu! Era como se eu fosse um lutador de boxe subnutrido, apanhando no rim em uma luta na qual só desejava o fim do round. Ainda bem que Zezé Camarão (minha namorada) estava comigo, segurando minha mão (a esta altura suada) e com seu humor compreensivo conseguiu arrancar de mim sonoras gargalhadas – interrompidas de vez em quando por um murro ou outro mais forte – com assuntos escolhidos a dedo para permitir que a pancadaria não repercutisse tanto em meu humor.
Uma ultrassonografia dias depois mostrou que a surra não resultou em sucesso, assim vou cair de novo na porrada. Tomara eu esteja melhor preparado, pois na primeira luta não tive o pudor de pedir arrego (não adiantou).

Claro que alguém perguntará o porquê de todo esse sofrimento. Pergunto-me também. Tenho meditado muito e cheguei a interessantes conclusões – tantas que não caberiam aqui nesse pequeno informativo – e dentre elas notei que a vida é para ser vivida. Esse é o seu principal sentido. Obvio, né? Mas nem sempre o obvio é atualizado aqui nesse presente que é estar na Terra.
Sim, nunca senti tão dentro de mim como carecemos dessa vital necessidade de (redundantemente) viver e nada mais. Nada mais? Sim e não, como sempre. Estamos aqui para experimentar a experiência de estar aqui, experimentar em cada uma das coisas que rolam, estar presente na dor, no amor, numa boa trepada, na decepção profunda, na alegria...

Aquela frase que se diz nos casamentos sobre ser fiel e estar com o outro na alegria e na tristeza etc. Sim, fidelidade ao fato de ser, de existir. Não é fácil. Inclusive porque essa fidelidade implica necessariamente no reconhecimento de que não somos isolados e sim fruto das relações com o entorno, vai daí que que não cabe um reles egoísmo. Somos na medida em que somos produtos de interações que vão desde o que nossos pais fizeram um dia na cama, até o que o mundo nos reserva em suas curvas... Pensei essas coisas e sigo pensando (surpreendi-me ao ver escrito “o sentido da vida é viver” em uma página da última revista Planeta – numa interessante coincidência).

Quero que saibam que saber que não somos essenciais e sim parte das relações universais é algo bastante nutridor e que vocês todos me sinalizam isso quando me olham amorosa e compreensivamente nesse momento onde às vezes o desconforto diz da minha humanidade.

Recebam um abraço grato de Aureo Augusto

6 comentários:

  1. Bom saber Q a via crucis está na sua arte final, amigo. Desejo o melhor pra vc! Mesmo na reflexão sobre a dor e a estranheza desses métodos emergenciais da medicina ocidental, vc traz pra gente importantes aspectos pra uma reflexão conectada com o laboratório Q é viver na Terra. Saúde e alegria de viver.

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    1. OH querida! Isso mesmo, um laboratório de verdade, da verdade!
      beijos

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  2. Aureo, meu querido! Só posso agradecer por compartilhar essas experiências e as reflexões... Felizmente, aprendemos muito nas relações e não apenas com nossos atos isolados e você é uma pessoa que consegue contribuir para essa outra forma de aprender de maneira extraordiária. As pessoas podem não ser essenciais, mas cada ato faz muita diferença na transformação pessoal, do entorno e de lugares muito mais distantes do que imaginamos... Efeito borboleta? Se é possível aplicá-lo ao seu caso, vejo a partir de uma perspectiva muito amorosa e inspiradora para todos que conseguem sentir os efeitos das suas ações.

    Fiquei mais tranquilo que a tal da uretrorenolitotripsia é com dois "jotas" minúsculos... se fossem maiúsculos eu teria ficado mais tenso aqui. Quanto à litotripsia externa, sei que é difícil, mas talvez pensar nela como uma luta de boxe não seja o melhor caminho, já que você enxerga o aparelho como adversário... Quem sabe, fechar os olhos e pensar que a querida Zezé comeu um espinafre dos bons e resolveu te fazer uma massagem especial? Talvez possa surtir um efeito melhor já que vc se entrega sabendo dos benefícios finais do processo... Brincadeiras a parte, desejo que corra tudo bem pra você virar logo essa página com ainda mais motivos pra sorrir!

    Forte abraço, saúde e muitas gargalhadas...

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    1. Que massa ler seus comentários.
      Realmente não consegui ver a máquina com bons olhos (xinguei até a mãe dela - rsrsrs). Aliás ela não conseguiu nem arranhar as pedras, vai daí que caio em breve (espero) em outra litotripsia a laser.
      Grato!

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  3. Êta Dr. Áureo, você é um grande filósofo até na hora da dor. Senti-me dolorida com sua dor mas rogo a Deus que fique saudável logo pois precisamos de você.

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    1. Amem, menina, Amém.
      Ainda estou na onda de resolver essas coisas, oxalá não demore muito.
      beijos pra ti

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