quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

2016

Finda um ano difícil. Para o mundo, para o Brasil, para a cidade de Palmeiras.
Aqui no Vale do Capão tivemos, do ponto de vista climático, uma amenização da seca que afeta o Nordeste há quase 10 anos. Foi um ano em que choveu com frequência, mas ainda não há sinais de que La Niña venha a substituir El Niño. Mesmo assim, esta presença maior de chuvas nos dá uma alegria em um ano onde “a política” foi terrível. O ano finda com a saída do atual prefeito que será substituído pelo eleito no último pleito.

Em sua saída, o atual prefeito nos brinda com um incremento das faltas que marcaram a gestão. Nestes quatro anos tivemos dois secretários que mostraram serviço, Aruanã e Andréa, respectivamente no turismo e na saúde. A última secretária de educação, Rosa, apesar de ser comprometida padeceu dos mesmos problemas que os demais: ausência de autonomia e de uma gestão bem orquestrada, e talvez, de excessiva filiação ao grupo governante – e os professores e estudantes sofreram; aqui no Vale do Capão os problemas variaram do transporte escolar, que obrigou a fechamento das aulas antecipadamente à degradação física da escola municipal e a falta de apoio à escola comunitária.

O gestor não conseguiu organizar uma agenda de realizações e tampouco nos brindou com uma governança coerente e consistente (com a pobreza, com as necessidades reais, com a continuidade, com a informação clara etc. do município). Difícil entender o que sucedeu, considerando-se sua formação e experiência. Eu, particularmente, não acredito em pura e simples corrupção, como querem alguns, uma imputação fácil, talvez demais. Alguns me falaram que deixou-se levar pelo senso de poder e não escutou conselhos pertinentes e perdeu de vista a realidade; outros comentam de seu dom especial para deixar-se levar pelo puxa-saquismo, dando atenção a quem não merecia, deixando de lado os colaboradores reais. Senti falta de diálogos sólidos, escuta; conversar com ele era uma luta, labuta vã, pois falava e falava, argumentava e deixava de perceber o que o interlocutor realmente queria. Gente do povo confirmou-me essa impressão. Essas coisas contam, indubitavelmente, mas não dizem tudo.

O fato é que finalizamos o ano sendo obrigados a, no posto de saúde, fazer uma campanha para arrecadar fundos com a finalidade de manter-se funcionando, o que é algo, para dizer o mínimo, triste. Contamos com amplo apoio e conseguimos os recursos de modo que funcionários exonerados puderam retornar e o material do dentista pôde ser comprado o que manteve o profissional em ação até o final deste dezembro cansativo.

Para nós, que trabalhamos na saúde, a vida não é realmente a coisa mais fácil do mundo. Em nosso posto há grande alegria todo o tempo. Muito riso, sorrisos nas faces e entusiasmo pelas atividades (que são muitas e que para serem realizadas frequentemente trabalhamos fora do horário pelo qual somos pagos). Mas detecto em mim e nos colegas um grande cansaço, um esgotamento e vejo que isso vem não apenas de um ano cheio (dia da criança; muitas palestras em sala de espera; dia do homem; consultas a mais do que o esperado em parte pelo aumento da população e dos visitantes sofrendo picadas de insetos, quedas, ferimentos...; grupos variados com rodas de conversa, tais como: idosos, se liga no peso, de pessoas com ansiedade e/ou sofrimento psíquico; atividades com estagiários de medicina, enfermagem, odontologia, assistência social entre outras atividades), mas também, dizia, o que nos esgota é não saber direito o que vai acontecer. Atrasos de pagamento, falta crônica de material e medicações, expulsão de colegas, esta sensação de que as coisas não estão minimamente seguras, e estar criando estratégias para preencher falhas e faltas que não são nossas... sinto-me cansado, exausto, desejando férias para repor as energias. Do mesmo jeito, todos.

É vero que nem tudo foi ruim, pois contamos com uma secretária de saúde (Andréa) accessível, dedicada, lutadora, mas que a nós, funcionários, parecia que atuava como se fosse uma “estranha no ninho” da governança, não tendo pleno conhecimento sequer do total dos recursos da sua pasta. O Conselho de Saúde funcionou marcantemente o que levou a alguns problemas com a gestão e, pasmem, com a direção da agremiação que congrega os funcionários, o qual não percebia o seu papel enquanto conselheiro dedicando-se a fazer oposição (coisa boa a oposição, mas tem o seu lugar) sem atentar para as normas.

Temos funcionários competentes em todas as áreas da saúde (parte deles expulsos no final da desta gestão) e contamos com nada menos que 4 médicos do programa Mais Médicos, todos originários de Cuba e muito bem capacitados. Mas não soubemos aproveitar isso adequadamente.
Aliás não conseguimos aproveitar programas do governo federal, além de promissores contatos com a secretaria estadual da saúde (um convênio não foi firmado porque um gestor anterior não prestou conta de R$70000,00 que havia recebido e, apesar do trabalho minucioso do Conselho de Saúde, o gestor atual não deu prosseguimento às disposições legais que permitiriam resolver o impedimento).
Esta é uma avaliação incompleta porque não se propõe a ser algo mais que um desabafo triste. Mais triste ainda por outra tristeza: nada disso é novo. Mais do mesmo de outros prefeitos que já aqui estiveram, uns melhores outros piores, mas...

Resta a esperança, não completamente passiva, um esperançar no dizer Freiriano, que é uma esperança ativa de gente que sabe lutar. Pelo menos aqui no Capão a comunidade assim se mostra e, portanto, vamos aguardar o próximo gestor e ver dele e nele o que nos trará de sua parte, pois da nossa, de trabalho não fugimos.

Em 28 de dezembro de 2016, recebam um abraço triste de Aureo Augusto.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O RANÇO ARISTOCRÁTICO

Fui e sou testemunha, tanto na qualidade de mero observador, como na condição de participante efetivo, de diversos movimentos de variadas matizes que buscam melhorar – alguns sinceramente, outros não – o mundo.
Quando jovem frequentei assustado o diretório acadêmico do Colégio Central da Bahia, onde cursei o científico. Foi uma época de perseguições e os militares me metiam um medo tão atroz quanto o que sentia dos líderes do diretório com seu pregão religioso anti-imperialista. Tudo bem, sou um cara medroso e por isso seguramente poucos da minha geração tiveram o mesmo grau de susto. No entanto, lembro-me que os militares estavam defendendo a democracia, contra os comunistas insanos e os líderes do diretório defendiam a democracia contra os militares que na realidade defendiam a burguesia.
A burguesia naquela época para mim era uma coisa perversa, responsável pela pobreza e pela exploração do homem pelo homem – é assim que se dizia. Depois que a mulher foi incluída na conta dos despossuídos.
O capitalismo, instrumento burguês de dominação, era a fonte de todo o mal e isso era indiscutível no meio em que eu frequentei a partir daí, e era indiscutível porque na verdade não era discutido. Resolvi ler Marx, o Capital, e me esforcei, mas me perdi o tempo todo. E, o pessoal que militava nas hostes do bem não o havia lido, exceto um único colega, que conversava muito comigo e me ensinava e esmiuçava Hegel, Engels, Marx, muito mais fácil que a leitura. Lembro-me dele, magro, curvo, nariz aquilino, pele clara como impensável em um baiano daquela época, bem intencionado até a medula, o único que realmente sabia o que falava e como tal rejeitado tanto à direita quanto à esquerda (da qual queria participar sem sucesso). A dificuldade que eu encontrava em estar a seu lado era que ele era excessivamente estudioso – e todos os excessivamente estudiosos passam pelo dilema que foi a vida de Hamlet – e eu um tanto preguiçoso e ademais lia e relia a Anatomia da Paz de Emery Reves.

Por alguma insanidade eu queria a paz. É fácil dizer que isso era porque eu era e sou um covarde, nada pronto pra uma briga. Seguramente essa característica teve seu papel, mas seria reducionismo alheio à verdade outorgar a apenas isso o meu pacifismo precoce. No plano pessoal isso era seguro, mas no plano geral, social digamos, até que era corajoso, pois estava na contramão de tantos ao meu redor que progrediam desde as brigas de turmas de rua, até a propaganda revolucionária (tanto a favor quanto contra o regime militar).
Naquele tempo eu me sentia tendo que escolher entre os militares que me tiraram tantos dos meus amigos (amigos dos quais admirava a coragem), ou os militantes de esquerda que me remetiam aos pogroms soviéticos, à invasão da Hungria e ao esmagamento da Primavera de Praga... Hoje as coisas são algo diferentes, mas não tanto a mais quanto gostaria.

Ocorre-me que temos um tremendo medo de reconhecer a diferença como essencial à vida social, como aliás vem pregando com algum sucesso o pensador Leandro Karnal. Deveríamos observar mais cuidadosamente a biologia. Onde há maior diversidade há mais resiliência e resistência ambiental. O Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA, estava se degradando ecologicamente e ninguém conseguia saber o porquê. A reintrodução dos lobos fez o parque voltar à vitalidade. Eles controlaram a população de certos herbívoros que antes se proliferavam e acabaram com a vegetação rasteira na beira dos rios e córregos.

Na nossa vida social e no relacionamento dentro da sociedade precisamos de todos os tipos de gente, ou, dito melhor e mais acertadamente, de todos os tipos de opiniões. E, a oposição a um governo, se exercida em boa-fé (imploro que leiam sobre a boa-fé no “Pequeno Tratado das Grandes Virtudes” de Comte-Sponville), e principalmente se o governo é exercido em boa-fé é absolutamente essencial e necessária para o bom andamento da coisa pública.

Mas o que vi foi um desastre patrocinado por uma elite ciosa de seu mundinho de regalias às custas de todo um povo laborando em condições frequentemente insalubres auferindo salários ignóbeis. O Brasil entrou numa espécie de Idade Média, da qual a muito custo tateamos para sair e, as notícias que vêm de Brasília não são nem um pouco alvissareiras. Pois conquanto nós, o povo, continuamos tateando para sair, outros, que podemos chamar de “elite” às claras ou disfarçadamente tudo faz com o intuito consciente ou não de manter tudo como está, ou seja, na contramão da diversidade.
Podemos chamar de “elite” não apenas quem nasceu em berço de ouro, mas também quem o conquistou, por vias políticas ou por labuta, mas que assume uma postura classista (disfarçada ou não) – e veja que existem pessoas muito ricas que não fazem parte dessa “elite”.

Isso não ocorre porque capitalismo, ou porque comunismo, ou porque falta religião ou porque insanos. Em alguma parte de todo o processo o economicismo acabou por suplantar o cuidado do com o povo ou com a coisa pública. Não se governa pelo bem das pessoas e sim pelo bem da economia, enquanto esse “bem” mantém, por exemplo, grupos muito ricos tendo suas dívidas perdoadas para manter o funcionamento do sistema, enquanto gastos com a saúde ou a educação dos mais pobres são denunciados como abusos socialistas.

O que temos é uma junção de um equívoco, onde as pessoas são esquecidas, com a má fé de políticos e seus asseclas em um verdadeiro complô contra uma possível democracia diversificada e bela.

Vamos ver aonde isso vai chegar.

sábado, 3 de dezembro de 2016

CUIDADO DOS MORTOS

Muitas pessoas do meu conhecimento ficaram chocadas com a insensibilidade do Congresso Nacional frente ao acidente aeronáutico que levou à morte de esportistas do Chapecoense. A Colômbia fez uma bela cerimônia por conta do luto e até o serviço diplomático de outros países enviou pêsames ao governo brasileiro, o qual manteve-se praticamente como se nada acontecesse.

No entanto, se bem notamos, o Congresso e o Executivo nacionais demonstram bem pouca preocupação pelo povo, ou pelos acontecimentos que afligem à nação. Não há apreço pelo ser humano que vive na lide diária buscando o “pão nosso de cada dia”. O povo é lembrado em época de eleição ou faz-se um teatro de baixa qualidade no cotidiano político, onde os atores (deputados, senadores, presidentes...) executam uma pantomima tentando convencer às pessoas da veracidade de suas preocupações, induzindo-nos a crer que estas preocupações dizem respeito à pátria ou ao povo que mantém a pátria. Na realidade a preocupação resume-se a manter-se no cargo e ampliar as benesses que este pode trazer.
Parodiando Oscar Wilde in “O Retrato de Dorian Gray”, eu diria que a classe política, de regra, é como se fosse os produtos de uma loja de quinquilharias com todos os preços acima da tabela – ou do seu real valor. Sérios presidentes da república se sucedem, vetustos presidentes da câmara e do senado, nobres deputados e senadores, vereança – um bando de mendigos morais pavoneando-se qual cardeais da alta cúpula de uma opulenta igreja.

E a nós? Cabe-nos o silêncio mormacento dos dias de labuta tentando construir uma vida decente sob tributação indecente que mantém quadrilhas que se alternam no poder.
Não estranhemos a displicência para com parentes e amigos dos mortos, afinal, em alguma medida todos nós, gente comum, não passamos de mortos para a sanha dos abutres que se locupletam da nossa impotência.
Porém, não creio que os mortos serão sempre mortos. Em que pese o formol que conserva o cadáver político em nosso país, como no livro Incidente em Antares de Érico Veríssimo, os mortos sairão a caminhar.

Caminhamos, enquanto o tempo passa, nós, as pessoas comuns aprendemos. Aos poucos vamos olhando com olhar crítico o que nos diz a imprensa, os discursos dos políticos e seus atos, a lógica de uma economia centrada no lucro e nos que auferem os lucros.... Devagar, evolutivamente, aprenderemos a dizer não.

Os abutres políticos desdenham do tempo porque creem que vivem da morte (o silêncio das consciências), desprezam os ciclos da vida porque alimentam-se daquilo que aparentemente não muda (a desmemoria de nossa gente), desconhecem a evolução porque apoiam-se na estabilidade da ignorância que eles fomentam em segredo (a educação que produz disfuncionais).

E apesar de suas verdades elaboradas na mentira, os políticos verão o mudar dos tempos. E verão que eles são os cadáveres de sua própria imoralidade.
Sei que nem todos são bandidos, mas a maioria é, e, mesmo assim, com essa maioria, não conseguem conter a mudança que se frágua em segredo e a maioria um dia será minoria. Aguardemos.


Recebam um abraço revoltado de Aureo Augusto

terça-feira, 15 de novembro de 2016

PITANGAS


Escrevi este texto no dia 18/9/16, mas antes de publicar fui alertado da morte (e das piadas sem consideração pelo sofrimento das famílias) de um ator da Globo quando se banhava no São Francisco na companhia de Camila Pitanga. Então não quis publicar naquele momento e o faço agora:
No quintal as pitangueiras estão carregadas exibindo tons de verde, amarelo, alaranjado, vermelho e roxo deliciosos com os quais acabo de me empanturrar. As pitangueiras carregadas me remetem ao tempo em que minha filha caçula era pequena. Um dia pilhei-a no terreno de um vizinho dependurada em um galho ridiculamente fino no afã e alcançar mais uma das frutinhas vermelhas. Depenou a pequena planta. E satisfeita foi pra casa – ela não me viu. Aliás, essa minha filha era terrível. Quando saía da escola, no caminho de casa eram muitos os desvios para visitar as diversas frutíferas, que sabia de todas, e das temporadas de cada fruta. Comia a mais não poder e quando chegava em casa dizia que estava sem fome – não sabia porque, dizia com a cara mais inocente do mundo – e não adiantava eu dizer que deixasse pra comer as frutas em outro momento.
Ainda bem que nesta tarde ela não estava em casa, pois mesmo agora, já crescida, continua amante das belas e deliciosas pitangas. Comi sem concorrência.

Sou instado a dizer dela que é uma planta humilde, e é. Tranquila e silenciosa, produz suas pequenas frutas quase que desapercebidamente e sua beleza e o discreto perfume de suas folhas passam em branco para muita gente. No entanto é uma das nossas mais maravilhosas plantas.
Quando ouvimos falar em licopene, antioxidante cuja presença reduz a possibilidade de câncer de próstata, pensamos logo em tomates, mas você sabia que a pitanga tem mais licopene que o tomate? E tem também nas folhas, daí o chá delas ser útil também para isso.

A planta, ou a infusão das folhas ajuda no tratamento de hipertensão, problemas do estômago, obesidade, reumatismo, bronquite – é anti-inflamatória, antioxidante, diurética e calmante, já pensou?
Devemos usar 1 colher de sopa da folha seca ou 2 colheres de sopa da folha verde para uma xícara de água fervendo que deve ser derramada sobre as folhas e deixar no infuso por 10 minutos. O correto é tomar 3 vezes ao dia, ou seja, de 8 em 8 horas.

Também é bactericida (contra Staphylococcus aureus e Escherichia coli, porém moderadamente, podendo, portanto, ser coadjuvante no tratamento daqueles que estão em uso de antibióticos) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em parceria com a Embrapa e a Universidade da Carolina do Sul estão estudando o extrato do fruto para tratamento de câncer, principalmente de cólon (intestino grosso).


Lembro de quando era menino, havia o dia de algum santo ou santa na igreja católica e os ônibus e as carroças eram enfeitados com galhos de pitangueira. Era uma coisa bonita de se ver. Naquela época eu não sabia que aquelas folhas cheirosas e seus frutos saborosos são uma dádiva para a humanidade.

Recebam um abraço pitanguico de Aureo Augusto

terça-feira, 25 de outubro de 2016

O PROFESSOR DESNUDO

Tenho tido alguma experiência com ensinar e graças a um projeto de educação pública que se espalhou por várias cidades da Chapada Diamantina e mais além (do qual participei, não como educador, e sim principalmente como mobilizador) contatei uma infinidade de professores e estudantes, convivi com eles e também com coordenadores pedagógicos e seus formadores, o que me foi bastante educativo tendo influenciado sobremaneira a forma como atuo em medicina.

Recentemente, além dos cursos que profiro periodicamente estou atuando como preceptor de estudantes de medicina, odontologia, enfermagem e mesmo mestrandos em saúde da família, que estagiam na Unidade de Saúde da Família de Caeté-Açu, no Vale do Capão, zona rural de Palmeiras-BA, unidade de saúde da qual sou parte da equipe. Aqui, os estagiários vivenciam uma equipe e uma comunidade, proporcionando experiências únicas, para a equipe e para os estudantes.

Estas experiências me colocam em uma peculiar posição de permanente reavaliação do meu próprio trabalho.
Questiono-me.
Ensinar, percebo, é algo íntimo. Pessoal. E ambas as coisas, ensinar e aprender, são completamente imbricadas.

Sinto-me tremendamente permeável ao escrutínio desses jovens e essa permeabilidade, noto, é o que me permite aprender deles, talvez mais até do que eles aprendem de mim. Eles, por sua vez, tanto mais colocam-se permeáveis tanto mais captam um algo além das palavras, das notícias de tratamentos e seus resultados. Pondo-se aquém da distância, somos juntos, justos aprendizes, completos em nossas metades.

Pergunto a mim mesmo como é possível ensinar sem me expor. Como é possível que um professor não mostre a própria alma quando diz do si que é seu conhecimento e experiência, como é possível ensinar se o professor não se põe como alguém que está exposto, aberto qual livro, um dos livros prescritos.

Sento-me diante desses jovens que me guiam pelos meandros da internet na busca dos protocolos estabelecidos e dos mais recentes trabalhos dizendo o que é isso ou aquilo dos sintomas e sinais que nos regala a gente que nos diz de si e de suas dores. Esses jovens às portas de se formar (em sua maioria) com seus olhos brilhantes e corações apertados, tanto quanto eu, com tanto a aprender e tanta responsabilidade a assumir.

Sinto-me nu. Eles me olham como o livro que sou e querem algo que nem sempre dou, não porque não queira oferecer, mas porque nem sempre alcanço o tamanho do que eles desejam. Mas também no ato de me oferecer pleno e nu, expondo as páginas de minha vida e os tesouros do que aprendi, respostas brotam como desafios.

E esta via tem duas mãos e é assim que a nudez nem sempre tão explícita deles, expostos com esta exposição (nem sempre consciente) dos jovens (de todas as idades) me alcança trazendo respostas até para perguntas que eu mesmo não fiz, respostas que brotam como desafios.

Recebam um abraço estudantil de Aureo Augusto

 

sábado, 22 de outubro de 2016

A USF DE CAETÉ-AÇU PEDE SOCORRO

Recebemos comunicado da prefeitura de Palmeiras que em razão da necessidade de ajustar as contas foram tomadas decisões que implicaram na demissão de dois funcionários essenciais ao funcionamento da unidade de saúde, quais sejam, a técnica em saúde bucal e a técnica administrativa e, ademais, o material do dentista não mais será enviado ao posto, entre outras coisas.

Em reunião a equipe considerou que o atendimento não pode continuar sem estas duas funcionárias e sem o material, mas, por outro lado, queremos seguir prestando o serviço que é a missão de nossa equipe: cuidar, dentro das nossas possibilidades, da comunidade.

Então decidimos lançar um pedido público para que possamos funcionar até dezembro. Pedimos às pessoas que conhecem o trabalho dessa unidade que depositem o que puderem na conta abaixo e assim contribuam para que possamos seguir com o nosso trabalho.
Calculamos que vamos necessitar de R$2400,00 por mês (4800 no total), e isso inclui o recurso necessário para as funcionárias e o material do dentista.

Entendemos que cabe ao poder público organizar os recursos que aufere para manter o funcionamento normal dos serviços de saúde, e não queremos substituir a gestão municipal, porém entendemos também que se trata de manter provisoriamente o serviço funcionando. Não pretendemos que isso se estenda por mais que esses dois meses.

A Associação de Pais Educadores e Agricultores de Caeté-Açu disponibilizou sua conta para receber as doações de qualquer valor:
Banco BRADESCO
Número da agência: 1087
Número da conta: 3590-4
ATENÇÃO: PARA DISTINGUIR AS DOAÇÕES PEDIMOS QUE OS DEPÓSITOS SEJAM IDENTIFICADOS, assim o pessoal da associação vai saber que é destinado a nós.

Somos gratos a todos aqueles que queiram contribuir com o nosso serviço, lembrando que isso é pelo bem de nossa comunidade. Prestaremos conta do uso do dinheiro aqui mesmo no fb.

Aureo Augusto p/equipe da USF de CAETÉ-AÇU


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

CONHECENDO DE DENTRO

Antigamente aqui no Capão eram poucas as gestantes que faziam pré-natal. Quando encontrava alguma mulher pejada lhe pedia que fosse à consulta, mas a maioria não dava a importância que hoje elas mesmas dão ao acompanhamento da gestação. Quando do advento dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) esta situação mudou imediatamente. Aqui no Vale, as agentes, mesmo antes de termos um posto da Estratégia de Saúde da Família, partilhavam comigo e eu com elas, os cuidados com a população. Eu atendia com Marilza Néry (técnica de enfermagem) no ambulatório gratuito que Lothlorien – Centro de Cura e Crescimento – mantinha na comunidade e as ACS ali me encontravam para partilhar seus achados.

As mulheres avisadas da necessidade do acompanhamento pelas ACS passaram a comparecer em peso e hoje, com a Unidade de Saúde da Família de Caeté-Açu, temos praticamente 100% das gestantes sendo acompanhadas, ficando os furos por conta da população flutuante que é bem grande.
Voltando a antigamente, cada mulher que me chamava para acompanhar o parto era uma incógnita, o que não era confortável. Vínculo havia, pois que a população daqui me recebeu com alegria e hospitalidade e logo fui considerado como gente local de modo que conhecia todo mundo e era também conhecido e até íntimo de todos, mas como não havia acompanhado faltava a compreensão, ou seja, a preensão dos detalhes da personalidade daquela pessoa que eu ia acompanhar, o que causava às vezes alguma apreensão. Por sorte as comadres me alertavam quanto a determinados aspectos de modo que isso me guiava em muito. Hoje isso mudou, com poucas exceções sabemos a cada um o seu jeito.

No início era eu só, depois descobri Marilza e isso foi uma riqueza, agora faço parte de uma equipe, o que é a glória! Agora as ACS me dizem dos sofrimentos e alegrias da gente daqui, a enfermeira me indica caminhos para o cuidado, a equipe de saúde bucal partilha suas descobertas e dificuldades, e, como se não bastasse, a técnica administrativa e a auxiliar de serviços gerais me fazem sentir mais ainda dentro das casas das pessoas. O que ocorre é que a maior parte da equipe é nascida e criada aqui – grande trunfo da Estratégia – e, portanto, conhecem de dentro as lendas e as atualidades de cada família.

Como sorte pouca é bobagem, ainda conto com duas enfermeiras obstetras morando no Vale (Natália, minha chefa imediata, pois é coordenadora do posto e Mariane, que já atuou como voluntária e substitui a chefe quando esta se ausenta), e que fazem parte do grupo PARIR que lida com parto domiciliar planejado, como são todos os atuais partos domiciliares daqui.

Os tempos mudaram, e para melhor, assim eu vejo. Está bem que perdemos uma certa inocência (que nem sei se era inocente mesmo, ou se era sofrimento e pobreza), está bem que o mundo “lá de fora” (como se fosse possível “lá fora”) se imiscui intenso mudando coisas que melhor seria não mudassem, mas trazendo também mudanças que melhor são que certos costumes arraigados e moribundos do passado...

Bom, amanhã, segunda-feira, vou ao posto trabalhar. Desafios a cada atendimento – ainda bem que conto com tanta gente ao meu redor! Ganhei isso como um prêmio no correr dos anos, essa chance de ver por dentro à comunidade. Grato gasto essa riqueza que não desgasta com o uso, recria-se melhor a cada dia.

Em 18 de setembro de 2016, receba um abraço USF de Aureo Augusto.


sábado, 27 de agosto de 2016

ABAIXO A BURGUESIA

Quando ia para as passeatas nos idos dos sessenta do século XX, esse era um dos motes que mobilizavam os estudantes: Abaixo a Burguesia! Eu ia, morrendo de medo da polícia, procurando o mais possível não ficar muito exposto, o que não foi difícil já que, mirrado como era, passava despercebido. Na época eu não sabia bem o que falava, mas lia Marx tentando saber – e não adiantou muito.

Na época eu não percebia que burguesia é evolução. Tomemos o século XVIII por exemplo. Dois países: França e Holanda (Países Baixos). A França era invejada como centro de civilização. Seus nobres empoados desfilavam em carruagens douradas, usando trajes caríssimos, comportando-se conforme regras esotericamente elaboradas, os homens inclinando-se reverentemente diante das mulheres sacudindo as mãos ou lenços de forma cuidadosa, com um sentido de honra aristocrática. Tudo muito bom, muito bonito, mas não passavam de parasitas intolerantes que viviam às custas dos agricultores e dos burgueses que trabalhavam diuturnamente e sustentavam o bando de parasitas “bem-nascidos”.
A Holanda havia emergido de cruentas guerras de independência contra a Espanha. Seu povo, constituído de agricultores e comerciantes burgueses, era industrioso, prezava a limpeza, a tolerância e não se aplicavam demasiadamente em amostrar-se em público. Os Holandeses mostraram-se bem próximos do que hoje entendemos como democracia. No seu país não havia tantos pobres, párias, miseráveis quanto na rica França. A renda per capita da Holanda era bem maior, pois a riqueza era bem melhor distribuída, já que a burguesia amava a competência, enquanto a aristocracia (como na França) reconhecia o direito de sangue, a origem nobre.

A aristocracia é um sistema onde uma pessoa tem prerrogativas sobre as demais apenas pelo fato de ter uma ascendência (ou nome) nobre. Não importa se é um crápula ou um imbecil, tendo nascido em berço de ouro será tratado de forma diferenciada e despreza com toda a força da alma aos demais, sem nome. Quando vemos filmes em que príncipes e princesas vivem em palácios ou casas senhoriais, encantados com os bons modos que demonstram e as belas roupas, não nos esqueçamos que aquilo se sustentava a partir da ideologia de que os muitos devem servir a uns poucos escolhidos por eles mesmos (os poucos) para postar-se no ápice da sociedade. Aquele príncipe tão digno, altivo e distinto, tão capaz de atitudes nobres, não trabalhava, e, no máximo, aprendera apenas a matar e a saquear (e isso era o seu conceito de dignidade).
Enquanto isso, os burgueses holandeses (e os franceses e de outros países) diligentemente construíam um mundo novo, onde o valor seria derivado do trabalho, do esforço, e não do nome. Eram preconceituosos, sim, mas nunca tanto quanto os aristocratas. Eles representaram a possibilidade da democracia no mundo moderno.

Os movimentos antiburguesia tendem a um comportamento democrático num primeiro momento, mas ao assumirem o poder tornam-se arremedos da aristocracia, quando começam a amar o poder, sempre em nome do povo. Na democracia pode ocorrer (e é frequente) uma degeneração onde quem ascende vira “aristocrata” passando a se considerar superior (porque ascendeu) e desejando preservar na família posses, títulos, cargos, recursos lançando mão de expedientes escusos muitas vezes.
Na União Soviética formou-se uma aristocracia burocrata (a Nomenklatura) e nos Estados Unidos os grandes trustes labutam no sentido de manter-se acima das leis.

Quando, no século passado, protestamos contra os valores burgueses, estávamos certos na medida em que tais valores careciam de revisão, adequação, purificar-se de determinadas injustiças, muitas delas, herança das ideias aristocráticas.

Tantos de nós que querem uma sociedade mais justa, tão frequentemente crê que um grupo (ou partido, ou um líder) será capaz de fazer a grande mudança. Mas quando acreditamos em um grupo, um partido, ou um líder, sem considerar aqueles que são contrários, ou olhando os demais como rebanho a ser liderado, estamos apenas retornando aos valores pré burgueses, involuindo em direção à aristocracia. Precisamos ir além da burguesia e não recuar ao passado.


Recebam um abraço burguês (rs) de Aureo Augusto.

domingo, 21 de agosto de 2016

MULHER É UM PROBLEMA

Nasci no Bairro do Uruguai, em Salvador, à época parte dos Alagados, que logo depois foi aterrado com o lixo produzido na cidade. Sou grato por ter estado ali boa parte de minha vida, lugar onde aprendi mais do que a ler e escrever. As brincadeiras infantis foram povoadas de notícias da vida dura de um bairro bem pobre com seu cheiro de mangue e chocolate (a fábrica de Chocolates Chadler derramava sua chaminé sobre o bairro).

Por isso aprendi também a ver um outro lado das coisas que os livros me ensinaram e vi que nem sempre o linguajar pulcro traduz a crueza rude do existir doce.

Talvez por isso também me sinto tão bem conversando com as pessoas ditas “do povo” e foi assim que um amigo se aproximou para papear (desabafar): “Mulher é um pobrema” e desandou a comentar os jeitos de sua amada esposa (amada sim, pois o amor, como alguém disse, é “apesar de” e não “porque isso ou aquilo”). Ri e perguntei-lhe se quando chegava em casa guardava cuidadosamente a roupa suja ou se deixava em qualquer lugar, e os arreios do cavalo, as botas... Claro que largava tudo à toa! Comentei que ele é um problema. Como a conversa se adiantava sob o signo do riso leve, a coisa seguiu em alegria e tranquilidade com comentários jocosos de parte a parte; lembrei de várias outras conversas que mantive em rodas com amigos. Reproduzo aqui como se fosse um único papo e como se fosse com aquele mesmo amigo do qual acabo de contar e incluo algumas reações dos interlocutores.

Disse: Pois sim, mulher é um problema, mas você está sempre atrás delas, parece que você é maluco e gosta de problema. Se mulher é problema, porque não vai viver com homem? Todo mundo ri com esse comentário – é uma graça!

Provoco: Eu, em particular, gosto muito de mulher, é muito legal encontrar seios fartos e não uma tábua, ou apalpando mais embaixo dar de sentir um vazio delicioso e morno, já quem apalpa um homem encontrará o cheio; não que eu desaprove a quem sendo homem goste de homem – risos pra todo lado, alguns um pouco nervosos – continuo: Isso é algo que merece todo o nosso respeito, pois o prazer é uma coisa que não depende de regra e se alguém tem prazer no semelhante, pra que o obrigaremos a manter o prazer no diferente contra o próprio senso? (cenhos franzidos, risos baixos, cabeças balançando para os lados, cabeças balançando acenando com um sim, dúvidas se manifestam em alguns semblantes...).

Sigo: Mas a verdade é que mulher é um problema... e uma solução; homem igual. Todo problema traz em si sua resposta certa. David Kahane nos ensina que quem não é parte do problema não será também parte da solução, e está coberto de razão.
Acrescento: Continue dizendo que o problema está nela e viverá atrás da fantasia da mulher perfeita decepcionando-se todo o sempre e sempre perseguindo fantasmas lá fora quando eles moram cá dentro. Pode ser até que encontre uma mulher que apenas silencie, curve a cabeça, não se queixe, então ou é depressiva ou dissimulada. E em ambos os casos vai rolar merda – sorrisos de aprovação, rostos preocupados, olhares postos no horizonte.

Vai daí que vale olhar para si e olhar para ela com o amor que nós temos. Dizer o que sentimos e não diagnosticar nela a doença que pode até estar nela, mas seguramente está em nós. E isso vale também para as mulheres que falam mal dos seus maridos (expressivos “sim” com a cabeça, rostos falando silenciosamente de decisões, bocas fechadas dizendo que nada disso pode ser aplicado, olhares decididos para um lado ou outro – cada um no seu processo).


Recebam um abraço gilânico de Aureo Augusto.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

COMO ANDA A (minha) SAÚDE

Delícia o apoio que tenho recebido de tantas pessoas que se ocuparam de minha saúde nesses últimos dias. É maravilhoso se sentir pertencente a uma rede tão boa, constituída de gente, conselhos, luz, carinho... E mais uma vez mando as notícias de como as coisas estão acontecendo.

Em 2/8/16 fui submetido a uma uretrorenolitotripsia flexível a laser com duplo jota. O nome me encanta, o que não impediu de sentir medo e pelas medicações que me aplicaram durante o procedimento (estava anestesiado dormindo), essa covardia se manifestou sob a forma de agitação, vômitos e pressão alta. O medo é esperado, dada a minha natureza pouco corajosa, também se consideramos que não estou habituado a dormir em um lugar estranho com pessoas me futucando por dentro – ainda que com boas intenções.
O Dr. José do Egypto fez muito bem o seu trabalho, e meu rim esquerdo logo se viu liberado para trabalhar fluidamente. No entanto, após 3 horas não foi possível romper toda a pedra. Coisa séria! Era um enorme paralelepípedo que apresentava no lado de uma de suas extremidades uma grande protuberância. Pelo menos ficou reduzido a algo em torno de 1cm de diâmetro (sem contar a outra de ½ cm). 

O médico sugeriu que eu fizesse complementarmente uma litotripsia externa. Aí sim que é de lascar. Fui atendido por um médico muito agradável e simpático, Dr. Bastos, filho de um médico de Seabra, Dr. Bastos, a quem conheço desde longa data. Fui a uma sala simples com um aparelho globoso que encostou em meu dorso e durante 20 minutos o pau comeu! Era como se eu fosse um lutador de boxe subnutrido, apanhando no rim em uma luta na qual só desejava o fim do round. Ainda bem que Zezé Camarão (minha namorada) estava comigo, segurando minha mão (a esta altura suada) e com seu humor compreensivo conseguiu arrancar de mim sonoras gargalhadas – interrompidas de vez em quando por um murro ou outro mais forte – com assuntos escolhidos a dedo para permitir que a pancadaria não repercutisse tanto em meu humor.
Uma ultrassonografia dias depois mostrou que a surra não resultou em sucesso, assim vou cair de novo na porrada. Tomara eu esteja melhor preparado, pois na primeira luta não tive o pudor de pedir arrego (não adiantou).

Claro que alguém perguntará o porquê de todo esse sofrimento. Pergunto-me também. Tenho meditado muito e cheguei a interessantes conclusões – tantas que não caberiam aqui nesse pequeno informativo – e dentre elas notei que a vida é para ser vivida. Esse é o seu principal sentido. Obvio, né? Mas nem sempre o obvio é atualizado aqui nesse presente que é estar na Terra.
Sim, nunca senti tão dentro de mim como carecemos dessa vital necessidade de (redundantemente) viver e nada mais. Nada mais? Sim e não, como sempre. Estamos aqui para experimentar a experiência de estar aqui, experimentar em cada uma das coisas que rolam, estar presente na dor, no amor, numa boa trepada, na decepção profunda, na alegria...

Aquela frase que se diz nos casamentos sobre ser fiel e estar com o outro na alegria e na tristeza etc. Sim, fidelidade ao fato de ser, de existir. Não é fácil. Inclusive porque essa fidelidade implica necessariamente no reconhecimento de que não somos isolados e sim fruto das relações com o entorno, vai daí que que não cabe um reles egoísmo. Somos na medida em que somos produtos de interações que vão desde o que nossos pais fizeram um dia na cama, até o que o mundo nos reserva em suas curvas... Pensei essas coisas e sigo pensando (surpreendi-me ao ver escrito “o sentido da vida é viver” em uma página da última revista Planeta – numa interessante coincidência).

Quero que saibam que saber que não somos essenciais e sim parte das relações universais é algo bastante nutridor e que vocês todos me sinalizam isso quando me olham amorosa e compreensivamente nesse momento onde às vezes o desconforto diz da minha humanidade.

Recebam um abraço grato de Aureo Augusto